28 de mai de 2010

As utopias que prefiro viver

Por: Suelen Lorianny


Viveria nos anos 60, 70 com muito orgulho. Uma época que dizia-se ser censurada, na verdade, foi aonde existia a verdadeira liberdade. Vejo a ditutadura como um motivador para a revolução, motivador para a mudança. Era nisso que aqueles jovens achavam suas forças, raivas e indignações.
E hoje temos a falsa ideia de liberdade. Acreditamos que nada nos impede, que temos a liberdade de expressão, só porque fazemos "tudo" o que desejamos. Quando ouvimos um 'não' nem nos importamos, afinal, é só um. O que, consequentemente, nos acomoda sem percebermos.
Assim, cegamente caminhamos rumo ao conformismo.
Sinto-me como uma pessoa idosa que olha para o mundo e se pergunta: cadê aqueles que lutavam contra a injustiça? Contra a censura? Contra o preconceito? E o engraçado, ou triste, é que eu sou apenas mais uma jovem que faz parte do sistema do século XXI.
Sei que muitos se sentem como eu. Muitos também tentam achar alguma saída, tentam caminhar na contramão.
O que me fez pensar sobre isso foi... O mundo ilusório acadêmico, senhoras e senhores!
Pensei que seria incentivada a não me acomodar, a pensar, a criar um senso crítico... Mas diria que, pelo contrário, está sendo apenas mais um lugar para ouvir instruções e regras.
“Você está aqui para se tornar um formador de opinião”. Nos meus primeiros dias dentro da universidade, no curso de jornalismo, foi isso que me disseram que eu iria ser. Mas até agora só estou aprendendo a escrever para repassar a opinião de um superior. É como se eu estivesse me aperfeiçoando para outros usarem. E isso é frustrante demais.
Alguns podem achar que sou metida a socialista, revolucionária, etc. Podem achar que acredito na utopia de que uma universidade livre é possível, na utopia de uma juventude que vai sair do comodismo. E quer saber? Acredito mesmo. Não vou simplesmente me conformar e aceitar que uns mandam e outros obedecem, sendo que eu vivo num país livre (sim, com ironia).
Sei que um exército não será usado enquanto os soldados estiverem em seus sofás (comodismo), assistindo suas televisões (apatia) e deixando a vontade de mudar para outro dia.. quem sabe.
Você precisa parar de acompanhar novelas enquanto ingora que sua própria vida está sem protagonista porque você prefere ser expectador.
Com meu pesar, ao meu redor vejo muitos expectadores...

27 de mai de 2010

Bastidores dos Diários Secretos

Repórteres contam como foi o trabalho investigativo dos repórteres do caso “Diários Secretos”, desde a obtenção dos diários diretamente da Assembleia até o trabalho de montagem da enorme base de dados.

Por: Lucas Kotovicz

Quatro repórteres. Juntos, eles denunciaram a maior fraude na Assembleia Legislativa de todos os tempos. Juntos, eles transformaram a história do jornalismo investigativo paranaense. Eles são Karlos Kohlbach, Katia Brembatti, James Alberti e Gabriel Tabatcheik, autores da prestigiada série de reportagens denominada “Diários Secretos”, que denunciou irregularidades no uso do dinheiro público. Estima-se que o valor deste desvio ultrapasse R$100 milhões, sendo que já foram comprovados R$26 milhões.

E foram os três homens do grupo que estiveram no auditório um do Bloco Azul da Universidade Positivo, no dia 13 de maio. Alberti, Kohlbach e Tabatcheik responderam todas as perguntas dos alunos e professores, que ali estavam, sobre os bastidores do caso Diários Secretos, fruto de quase dois anos de investigações.

Como vocês souberam que havia alguma irregularidade nos diários da Assembleia?
James: O Karlos já tinha feito uma série de reportagens chamada “Gafanhatos”, que já falava da existência de funcionários fantasmas na Assembleia, e a Kátia falava da não-veiculação dos diários da Assembleia. Eu fui fazer uma matéria sobre funcionários fantasmas de uma deputada que concorria à prefeitura de uma cidade da região metropolitana e, ao fazer essa reportagem, a pessoa que nos trouxe o documento acabou revelando o caminho aos diários da Assembleia.

Como vocês tiveram o acesso efeitvo aos diários? Como conseguiram fazer cópias de todos esses documentos?
James: Quando eu fiz a matéria sobre os funcionários fantasmas da deputada, eu perguntei para o cara que me trouxe os diários da Assembleia: “Onde é que você conseguiu isso?”. E ele falou: “No segundo andar, em tal lugar, em tal setor.” Na verdade os repórteres da Gazeta do Povo procuravam em outro lugar. Então, eu fui neste lugar com três trainees (estagiários), e disse para a funcionária que estava lá: “Eu sou monitor desses estudantes e nós queremos fazer um trabalho sobre a Assembleia do Paraná. Então, queremos ter acesso aos diários da Assembleia.” Ela concordou. (risos) Sentamos em uma mesinha e ela trouxe os diários do ano de 1998. Separamos todos os que tinham nomeações, exonerações... Separamos os de 98, pegamos os diários de 99, pedi para a funcionária para levá-los para xerocar e disse que trazia no começo da tarde. Ela novamente concordou. No outro dia fizemos o mesmo processo. No último dia um diretor da Assembleia, que até hoje eu não sei o nome, perguntou o que estávamos fazendo ali e de que Universidade éramos. Disse também que precisávamos de algum documento para explicar o que estávamos fazendo. Eu disse: “Tudo bem, amanhã eu trago para o senhor.” Só que nós tínhamos terminado (risos). Assim, eu xeroquei todo o material, entreguei e nunca mais voltei lá. Até hoje eles não sabem bem como a gente conseguiu isso. Mas foi simples: a gente foi lá, pediu, e a funcionária que estava lá entregou (risos).

Quando vocês começaram a trabalhar efetivamente em cima dos diários e, inicialmente, qual era o objetivo?
James: Nós tínhamos a intenção de responder a seguinte pergunta: quantos funcionários têm a Assembleia do Paraná? Isso começou em maio de 2008. Em março de 2009 a Assembleia publica a lista de funcionários. Nesse momento nós já tínhamos uma planilha de Excel com nomeações, exonerações e aposentadorias, de 1998 a 2008. Assim, a Kátia, que ficou sabendo que nós tínhamos esse material, nos procurou na RPC e conversamos pra gente fazer uma matéria em conjunto. Discutimos com a chefia e transformarmos isso num projeto corporativo. Nesse processo foram incluídos o Karlos, o Gabriel e a Kátia. Então, nós começamos a realizar esse material - que tinham milhares de erros - e a melhorar a nossa planilha. Por fim, chegamos à planilha que é a base de dados que está na internet, que só tem dados de 2006 em diante. Não tem os dados de 98 a 2005 porque nós xerocamos só os diários que tinham movimentações de funcionários. Nós começamos a fazer a investigação e chegou um momento em que tivemos acesso a todos os diários da Assembleia do ano de 2006, mesmo os que não tinham nenhum tipo de movimentação. Aí nos impusemos ao desafio de ter acesso a todos os diários de 2006 em diante, e conseguimos. Os diários avulsos nós não tínhamos controle, ninguém consegue controlar. Como nós tínhamos todos os diários oficiais da Assembleia de 2006 pra cá, resolvemos focar nesse período em que nós tínhamos todos os documentos oficiais.

Como foi o trabalho de montagem da planilha com os dados dos diários?
James: Foi um trabalho muito chato mesmo, de muita persistência. Tivemos que ficar dias e noite, durante meses, olhando e checando nome de fulano, função de fulano, funcionário de qual deputado... Passamos por 80 ou 90 mil linhas de Excel e checamos isso cinco vezes. Realizamos um monte de tabelas, com um monte de informação. Nós não tínhamos sequer percepção de que o volume de desvio era tão grande, de que as coisas tinham essa dimensão. Existe um material muito grande que ainda não veio à tona, e a gente nem sabe se ele vem.

Gabriel: É evidente que, quando começou, nós pensávamos que iríamos trabalhar algumas semanas, um mês, no máximo. Mas nós começamos a descobrir coisas... aí descobria uma maior, depois uma maior, depois uma maior ainda. A gente chegou, várias vezes, a quase publicar, mas aí descobríamos uma coisa muito grande e dizíamos: isso não está certo. No começo a gente não pegava nem a data em que o cara tinha entrado na Assembleia. A gente teve que descobrir também como os diários funcionavam. Não podíamos ligar na Assembleia e falar: “Olha, nós temos um diário aqui...” (risos). Depois de um ano e meio trabalhando é que a gente entendeu como os diários funcionavam.

Karlos: A gente demorou quase dois anos para divulgar tudo isso. O James ficou mais tempo. No feriado de Sete de Setembro a gente ficou até as quatro horas da manhã trabalhando. Então, o processo era de dois em dois: um ia falando e o outro, digitando. Depois passamos a fazer cinco correções. Cinco checagens pra ver se as informações estavam certas, pra definitivamente não errar. Porque é um tipo de matéria que, se você errar um nome, você expõe uma pessoa que não tava na Assembleia... aí você toma um processo enorme.

22 de mai de 2010

Os primeiros passos antes da Copa

Por: Danilo Georgete

A última sexta-feira foi diferente para o povo curitibano, a chegada da seleção brasileira mudou a rotina da capital. Em todos os lugares só se ouve uma assunto: “Pô, será que vamos conseguir ver os jogadores?”.
                                                                                                           Foto: CBF

Na chegada no aeroporto Afonso Pena, os jogadores seguiram da pista para o ônibus, decepcionando cerca de 200 torcedores que se encontravam no saguão do aeroporto. Quando o veículo que levava os jogadores se aproximou do CT do furacão o povo ficou animado, pediam desesperadamente para que os atletas abrissem o vidro. Todo esforço do público foi em vão, a impressão que deu é que os papéis se inverteram, o povo curitibano tachado de frio foi super caloroso, enquanto a seleção foi extremamente gelada.

Enquanto os amantes da seleção ainda se aglomeravam na entrada do CT do Caju os jogadores faziam exames físicos. Os treinos aqui em Curitiba serão somente físicos, e os jogadores só devem ir a campo no domingo.
                                                                                                               Foto: CBF

Muitos imaginam o que deve estar acontecendo dentro da concentração, eu tive o privilégio de saber, como podem ver nas fotos, os jogadores estão trabalhando firme a parte física.

O clima descontraído mostra a união do grupo convocado pelo técnico Dunga, agora é ficar na torcida para que Curitiba possa ter seu pedacinho na história de um título mundial brasileiro... E que venha o Hexa!

21 de mai de 2010

Filósofo francês dá palestra na Universidade Positivo

Luc Ferry, ex-ministro da educação da França, falou aos jornalistas sobre as manifestações religiosas, Estado laico e escolas

Por: Aline Reis e Daniel Castro

O filósofo e ex-ministro da educação da França Luc Ferry esteve em Curitiba ontem para dar uma palestra no auditório do Grande Teatro Positivo. Antes, porém, Ferry participou de uma entrevista coletiva no hall da Pós-Graduação da Universidade Positivo, que reuniu imprensa e convidados. A Rede Teia de Jornalismo acompanhou a entrevista que abordou diversos aspectos educacionais, entre eles a educação à distância.


                                                                               Foto: Fernando Mad

O ensino longe das salas de aula é tendência no Brasil e abrange desde cursos técnicos até universidades. “Eu fiz todos os meus estudos à distância porque morava longe da escola e não tive oportunidade, mas não é o ideal, quando se tem a oportunidade de ir às aulas”, disse Ferry.

O relacionamento interpessoal entre professores e alunos também é algo que deve ser pensado quando uma instituição decide optar por aulas não-presenciais. “Todos nós tivemos a sorte de encontrar professores geniais nas escolas. De dez, oito são ruins, mas um é genial, e esse vale à pena conhecer”, salientou o filósofo.

Ainda sobre educação, o filósofo comentou o ensino religioso nas escolas. Para ele, as aulas devem trazer uma visão histórica sobre as religiões e, para isso, precisam ser ministradas por historiadores. “Você não entenderá nada de arte se não tiver conhecimento sobre a história das religiões”, explicou.

Ferry também falou sobre as relações familiares. Para o filósofo, a família é sagrada no ocidente. Se antigamente as pessoas se sacrificavam pela religião, política ou revolução, hoje são capazes de se sacrificar apenas pelos seus parentes. Quando perguntado se a família de hoje é desestruturada, o francês foi enfático. “A degradação da família é uma ilusão. Achamos que vai mal porque há muitos divórcios”. Sobre as separações, ele explicou ainda que o divórcio só acontece porque as pessoas se casam por amor. Em outros tempos, elas não teriam a oportunidade de optar pela separação, porque o casamento era feito por interesses e pelas escolhas de terceiros.
                                                                                  Foto: Fernando Mad

Outro ponto muito abordado pelos jornalistas foi a proibição dos símbolos religiosos nas escolas da França, atitude tomada por Ferry quando era ministro da educação. Segundo Ferry, a França possui cinco milhões de muçulmanos e a população judaica mais influente do mundo. Para ele, o objetivo do projeto não era acabar com os símbolos religiosos, mas sim com os símbolos militantes. “Não queria que os alunos reproduzissem o conflito do Oriente Médio em sala de aula”, disse.

Questionado sobre o governo do Irã, Ferry criticou a postura do presidente Mahmoud Ahmadinejad. “O fundamentalismo equivale ao nazismo, principalmente para mulheres”, finalizou.

A coletiva terminou perto da uma da tarde e Ferry retornou à UP no período da noite, para ministrar a palestra.

18 de mai de 2010

Juventude ligada em comunicação

Atividades do Intercom Sul 2010 discutem a relação da produção midiática e a recepção do jovem

Por: Aline Reis e Maria Carolina Lippi, de Novo Hamburgo, RS


No segundo dia de trabalhos no XI Intercom Sul - Comunicação, Cultura e Juventude, em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul houve três painéis no período da manhã: Novas mídias e jovens, com a professora doutora Gisela Castro ESMP/SP, Produção audiovisual para jovens, com o professor doutor Valério Brittos (Unissinos) e Publicações voltadas para jovens, com a professora doutora Saraí Schuimid, que aconteceu no auditório do bloco azul da Feevale, no qual o tema principal de apresentações de estudo foi a relação do jovem e a mídia.

A doutora Saraí Schmidt, educadora na Feevale há dez anos falou sobre um estudo que se baseou na Revista MTV, voltada ao público jovem. Para isso, foi feita uma análise na linguagem usada na mídia que remete ao universo do jovem. As características vistas por ela nos meios é de criar uma ligação do jovem com a expressão “ter atitude”, no sentido de que a sociedade acredita que o jovem devem resolver todos os problemas no meio em que estão inseridos. De acordo com ela, a população remete que é o dever do jovem solucionar as questões que permeiam crises no país. “O que eu tenho percebido que não é fácil ser jovem em nosso tempo”, observou.
No entanto, de acordo com a pesquisadora, a mesma sociedade que culpa os jovens por todos os problemas os incumbe de resolvê-los. “Cria-se a ideia de que hoje o jovem tem oportunidade e só precisa ir atrás, mas sabemos que nem todos tem oportunidade. Cria-se a lógica dos vencedores e vencidos”.

A professora ainda analisou a expressão “ter atitude” por meio das Revistas MTV a partir do ano de 2001. A pesquisa com a revista foi feita com seus próprios alunos dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Feevale. Eles tiveram que analisar as publicações e responder: O que é ter atitude? As respostas foram feitas em formas de colagens. Os estudantes colaram imagens de grandes esportistas, artistas e cantores. “É a busca de um exemplo a ser seguido. Ou você tem atitude ou não tem”, diz a professora.

Nesse sentido surge um questionamento no que diz respeito aos conteúdos veiculados pelos impressos joviais. “É difícil fazer algo para o jovens porque a gente não sabe o quê escrever, mas ao mesmo tempo, os jovens são interativos, então a publicação é feita por eles. Por isso não adianta colocar coisas mais de cultura se eles não querem ler”, analisa a estudante do sétimo período da Universidade de Santa Cruz do Sul (UCISC) , do Rio Grande do Sul, Ananda Delevati, que participa de um projeto para uma publicação jovens dentro da academia.

Em relação à Revista MTV e outras revistas estudadas, foi visto por Saraí que, as matérias e propagandas nas publicações jovens tratam de “ter atitude” é relacionado a individualidade. “Há um discurso do individualismo muito forte. É necessário ser diferente para ser igual”, explica. Sua preocupação em relação à imagem criada do jovem pela mídia, aquele que só busca estar na moda e conquistar um namorado (a) ou seja, a generalização do conceito. “Sabemos que há muitos jovens que gostam de ler e se interessar por outros assuntos”.

Entre esses jovens está o estudante de Jornalismo, Antonio Carlos Senkovski. Ele concorda com o estudo da professora Schimdt e percebe a responsabilidade indevida que é dada ao jovem atualmente. “O jovem carrega uma fardo muito pesado. O jornalismo também é culpado desse fardo, porque o jornalista quer fazer tudo rápido com a única intenção de vender. É a reprodução do neoliberalismo, o individualismo é fruto da lógica de mercado”, afirma.

Intercom Júnior reúne trabalhos de estudantes de comunicação da Região Sul

Por: Aline Reis e Maria Carolina Lippi, de Novo Hamburgo,RS

Ontem foram apresentados os trabalhos de graduandos de Comunicação Social no Intercom Jr. Integrante do XI Intercom Sul 2010 – Comunicação, Comunidade e Juventude, em Novo Hamburgo – RS.
As apresentações de Jornalismo foram divididas em duas sessões, ambas coordenadas pelo Professor Dr. Luiz Ferraretto da Universidade Caxias do Sul (UCS). Após as doze apresentações da primeira sessão, houve debates sobre os temas explanados. Cerca de cinquenta pessoas presenciaram os estudos, entre eles, da Universidade Positivo. Willian Marcondes Bressan tratou do tema “Liberdade de imprensa X Liberdade de empresa; Alime Kamaia e Anna Luiza Garbelini falaram sobre “Festival Lupaluna, um exemplo de agendamento nas páginas da Gazeta do Povo” e Aline Reis e Maria Carolina Lippi discutiram sobre a relação entre mídia e esporte em “Comparativo entre diário esportivo Lance! e o caderno esportivo do jornal Folha de S. Paulo”. Todos os estudantes estão no terceiro  período.
Muitos dos trabalhos se basearam no estudo do jornalismo na internet. O web jornalismo ou jornalismo digital foi tema de Augusto Moreira Pinz, estudante de Jornalismo do sexto período da Universidade Católica de Pelotas. Seu estudo “O jornalismo digital mostrando uma comunidade ao mundo”, é um projeto de site jornalístico voltado com notícias da cidade gaúcha de Canguçu. Na cidade não há jornal impresso, somente aqueles vindos de Porto Alegre, estes que não dão atenção aos acontecimentos da cidade do estudante. O blog foi uma alternativa de Pinz para escrever sobre o que acontece na cidade de cinquenta e seis mil habitantes. Pela primeira vez apresentando no Intercom Júnior, o estudante apreciou a oportunidade de debater sobre o que foi apresentado pelos acadêmicos. “Adorei a questão do debate, foi muito bom. Há várias coisas boas para explorar em comunicação”.
O Coordenador Professor Doutor Luiz Ferraretto elogiou os trabalhos e a importância dos alunos, futuros pesquisadores e profissionais de mercado apresentar metodologia em seus estudos.  “Para ciência existe metodologia. Temos que ver de que ponto está olhando o problema e ver que ponto é empírico. Se estão fazendo pesquisa, você deve pensar em metodologia”.   Durante o dia de hoje, ainda haverá apresentações de trabalhos do Intercom Júnior e Expocom.

Comunicação, Cultura e Juventude no Intercom Sul 2010

Palestra de abertura na Feevale enfatiza redes sociais e visão do jovem em relação ao meio ambiente

Por: Aline Reis e Maria Carolina Lippi, de Novo Hamburgo, RS

Começou ontem o XI Congresso da Intercom Sul, esse ano realizado em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. Mais de 1700 pessoas participam do evento que reúne teóricos, professores e estudantes de comunicação social do Paraná, Santa Catarina, além dos gaúchos.

Estiveram presentes na conferência de abertura o prefeito da cidade Tarcísio Zimmermmam, a professora coordenadora do Intercom Sul Paula Phull, o presidente da Intercom, Antônio Hohlfeldt e a professora doutora em comunicação Raquel Recuero, da Universidade Católica de Pelotas.

Racuero falou sobre as redes sociais e sobre a importância que elas têm no que diz respeito à comunicação e à socialização. “A gente é diferente [na web] porque é fácil ser diferente com um monte de gente igual a gente”, disse a doutora durante a palestra, fazendo uma reflexão crítica sobre os sítios de relacionamento como o Orkut.

A pesquisadora ainda falou sobre a vida em rede: hipermidiática, pública e coletiva, segundo ela. “O canal de comunicação de 80% dos brasileiros entre 10 e 24 anos é a internet, por isso, a inclusão social para muitos é o Facebook, o Orkut e o Twitter”.

Outro ponto abordado na palestra foi o conceito de sustentabilidade. O diretor da MTV/RS, Vitor Faccioni mostrou um vídeo de 30 minutos que mostrava o que os jovens entendem por sustentabilidade. Algumas partes causaram risos na plateia, risos que por vezes eram de indignação, como no caso do estudante de jornalismo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Daniel Ito Isaia. “Quando um jovem não ‘está nem aí’ com a sustentabilidade mostra como a mídia é deficiente. Isso é conseqüência da indústria cultural e das ações midiáticas feitas de forma irresponsável e descompromissada”.

Após as explanações dos palestrantes a assembleia pôde fazer perguntas durante quinze minutos e, em seguida, a prefeitura de Novo Hamburgo disponibilizou transporte para um tour cultural e comercial pela a cidade. À tarde, houve mesas do Intercom Júnior, Expocom e trabalhos da Publicidade e Propaganda bem como Relações Públicas. Durante a noite houve oficinas focadas na reflexão sobre comunicação, principalmente na área jornalística, além de outras palestras e apresentações culturais.

17 de mai de 2010

O jornalista esportivo que não fala de futebol

Hoje um dos grandes jornalistas do cenário esportivo paranaense, Cristian Toledo revela seus planos futuros, seu estilo de viver e sua preocupação com os clubes paranaenses

Por: Lucas Kotovicz

     Foto: Fernando Mad
Cristian Toledo (ao lado de Sérgio Bello e Binho, na Rádio Banda B) já pensou em largar o rádio para ter mais tempo, mas não conseguiu.


Cheguei na RIC TV às 10h30min, meia hora mais cedo do que o combinado para a entrevista marcada pelo MSN dias antes. Passando pelos desconhecidos corredores da empresa, finalmente cheguei à Ilha de Edição 1, onde se encontrava meu entrevistado. Atencioso, mas extremamente ocupado e submetido à correria rotineira da profissão de jornalista, Cristian Toledo disse-me que eu poderia acompanhar a edição dos últimos vídeos para o programa Tribuna no Futebol daquela manhã. Ali permaneci calado, acompanhando o trabalho daquele que é um dos grandes jornalistas esportivos do cenário paranaense atual. Acanhado, apenas o escutei e acompanhei seus passos até o espaço destinado ao programa. E foi sentado no seu habitual lugar de apresentador que Cristian Toledo me concedeu a primeira entrevista com alguém de renome no cenário esportivo.

Foto: Fernando Mad

Bem humorado, Cristian diz não 
gostar da fama por ser tímido

Do nosso encontro, formulei uma ideia geral da sua forma de vida: família em primeiro lugar e execução do trabalho tendendo à perfeição. Dono de três empregos – âncora da Rádio Banda B, apresentador do programa Tribuna no Futebol, da RIC, e editor do jornal Estado do Paraná –, o bem-humorado jornalista me contou que trabalha quase 15 horas diárias. Mas, para chegar aonde chegou, Cristian teve que ralar muito. Em um dos primeiros empregos, Toledo precisava pagar R$500,00 por mês, pois em tese ele deveria vender patrocínio, coisa que, segundo ele, nunca soube fazer. “O mercado (do jornalismo) não é tão grande quanto talvez Curitiba mereça e não paga tão bem quanto as pessoas mereçam. Eu não sou a favor que as pessoas comecem assim, mas sei que às vezes é obrigatório para se colocar no mercado”, diz ele.


E quando não está no trabalho? Cristian é categórico: fica ao lado da família e não acompanha o futebol. “Eu fico em casa com a minha esposa, vou na casa dos meus pais, dos meus sogros, brinco com meu sobrinho. Mas, não vivo o futebol”, diz ele, que ainda me fala que não gosta nem de conversar com outras pessoas sobre futebol fora do ambiente de trabalho. “Entendo que as pessoas às vezes só podem chegar aqui pra mim falando disso, mas eu às vezes tento mudar de assunto”.
Foto: Fernando Mad
Estando na sua segunda década de profissão, Toledo me diz que foi apenas há pouco menos de cinco anos que começou a ser apresentador de televisão, e diz: não gosta muito da fama por ser tímido. “Prezo muito pela minha família e pela minha privacidade. É o ônus, digamos assim. Ao mesmo tempo que é um prêmio o reconhecimento das pessoas, eu posso não gostar porque eu sou tímido. Mas, como é que eu não vou gostar do carinho que as pessoas têm por mim? É uma dicotomia que eu tenho que saber administrar.”, argumenta.

"É isso que um amigo faz pelo outro: critica, briga quando precisa, mas defende o amigo até a última gota."            .

Aprofundo mais o tema, talvez a contra-gosto do meu entrevistado, e pergunto como é a sua relação com os amigos. Novamente, Cristian é categórico ao afirmar: cultiva os amigos que tem e os defende até a última gota. “Contra meus amigos ninguém pode falar, porque aí eu vou discutir. E acho que é isso que um amigo faz pelo outro: critica, briga quando precisa, mas defende o amigo até a última gota”, conta veemente. Quando pergunto sobre futuros projetos, ele me diz que o seu preferido é o curso de Jornalismo Esportivo, ministrado na Universidade Positivo. Porém, ao contrário de muitos jornalistas, que possuem a ambição de trabalharem em São Paulo, Cristian mantém suas raízes e diz que fica no Paraná. “Não acho que eu seja um profissional de um perfil que São Paulo adote, acho difícil eu dar um passo desses. Não sei se eu interessaria a eles e ainda não sei se me interessaria ir pra lá também.”, conta o jornalista.

Para finalizar, finalmente entro no assunto que o leva a ter o destaque regional que possui: o futebol. Falo sobre os times paranaenses, e aí Cristian fica preocupado: mesmo se considerando um otimista, ele não hesita em levantar as sobrancelhas, olhar com um ar cabisbaixo para o vazio e dizer: tem que melhorar muito. MUITO. “Os nossos times estão muito parados. Me assusta o Atlético, por exemplo, não contratar ninguém! Me parece que o Atlético acha que tá tudo certo! O Coritiba foi campeão. Tem um bom time? Tem, mas falta muito. E o Paraná é um desespero. Daqui a pouco ficar na Segunda Divisão já vai ser uma alegria”, conta ele, com ar preocupado e frustrado.

"Eu não vejo a menor graça em saber para que time eu torço."

Por fim, pergunto o que todos querem saber, mesmo eu sabendo que ele não gosta de tocar no assunto: qual é o time de Cristian Toledo. Como eu esperava, o jornalista se sentiu desconfortável ao ter que explicar o porquê de não revelar seu clube. “Acho engraçado que perguntem sempre isso. Eu não vejo a menor graça em saber para que time eu torço. E não posso dizer porque eu vou começar a ter minha opinião questionada pelo torcedor desse time, que vai dizer que eu ou critico ou defendo demais, e pelos outros clubes. Eu tenho a consciência tranquila, mas prefiro evitar a situação”, explica. Como jornalista esportivo, Cristian diz que deve torcer para os três principais clubes de Curitiba. “Eu tenho a obrigação de apoiar os três, torcer para os três e sofrer pelos três times”. Mas, para os curiosos de plantão, ele deixa escapar: “Não vou dizer nem se é de Curitiba ou se não é, mas obviamente que é um dos times de Curitiba”. E concordo com ele: não interessa o clube do jornalista, o que interessa é o trabalho que por ele é realizado. Cristian Toledo foi e está se tornando aos poucos um dos ícones do cenário esportivo paranaense.

13 de mai de 2010

O que se esconde atrás dessa voz


Por: Juliane Moura

Em meio a microfones e mesa de som, em um dos estúdios da rádio Transamérica, Marcelo Fachinello se prepara para mais um Transamérica Esportes, programa esportivo comandado por ele todos os dias. No ar há nove anos, o programa é considerado um dos mais importantes relacionados ao esporte em Curitiba. Ele confessa que, além do trabalho sério que é feito na Transamérica, as risadas são inevitáveis com fatos inusitados que acontecem em jornadas esportivas ou mesmo em entrevistas.

Foto: Aline Reis













Marcelo Fachinello, da Rádio Transamérica, fala sobre sua carreira e cita alguns momentos marcantes no rádio


Realence de nascimento e curitibano de coração, Fachinello chegou à capital paranaense ainda adolescente para terminar seus estudos e ficar na cidade caso encontrasse algo que lhe interessasse. Jornalista formado com especialização esportiva e cursando Marketing, Fachinello acabou ficando em Curitiba. E por aqui ele trabalhou em diversos lugares. Um que o marcou muito foi na rádio CBN, em uma transmissão esportiva, onde narrou um jogo pela primeira vez.

“Tinha um momento de necessidade extrema. A gente ia fazer o jogo com um narrador aqui em Curitiba, com o recurso do off tube, que é o narrador vendo o jogo e narrando pela televisão, enquanto o repórter fica no campo. Eu era o repórter, e estava em Teresina, no Piauí, no jogo Flamengo e Atlético. Quando chegou a hora do jogo, soubemos que não teria transmissão da televisão, então o narrador não tinha como fazer a narração. Eu narrei dentro do campo, foi muito difícil, certamente muito ruim o resultado do trabalho, mas enfim, eu tinha que fazer”, comenta.

Risos inevitaveis

Já na Transamérica, Fachinello narrou dois jogos que por coincidência eram no mesmo dia e horário. “Eu sempre narrei em televisão, mas é muito diferente de fazer no rádio. Conversando com a direção e com o pessoal aqui, todos me incentivaram e acho que consegui suprir as necessidades da rádio naquele momento. Mas foi uma experiência bem bacana. Acho que consegui fazer isso e ajudar o pessoal”, contou sorridente.

Enquanto às dezessete horas e quarenta minutos de mais um dia de transmissão na Transamérica não chegava, Fachinello lembrou-se do seu início precoce no rádio. Impulsionado por seu pai, dono de várias rádios no interior do estado, o jovem jornalista falou sua primeira frase para os ouvintes quando tinha 12 anos.

E em uma carreira tão longa para um rapaz de 32 anos, é inevitável acontecerem momentos engraçados, principalmente por trabalhar em uma rádio com as características da Transamérica, que ao mesmo tempo traz o profissionalismo de sua equipe e a diversão de seu personagem mais conhecido pelo público como ET. E, nesse ritmo, Fachinello, ao lembrar de diversos momentos engraçados, dá uma risada contida, como quem sabe que até situações engraçadas também acrescentam na carreira, mas sem deixar de lado o profissionalismo no momento, para manter a seriedade e não constranger o entrevistado.

“A gente escuta muitas coisas de jogadores que não sabem se expressar direito, infelizmente muitos têm limitações culturais, que a gente, lógico, tem que respeitar, por que nem todos conseguiram estudar, ter uma condição de frequentar a escola. Mas tem várias situações engraçadas e acontecem aqui na rádio principalmente, quase todo dia”. Fachinello se lembra de um momento dos vários que já aconteceram. “Uma vez fui entrevistar um jogador do Atlético. Ele era atacante, estava fazendo um monte de gols, daí eu perguntei o que é que ele tinha que ter, qual era o pré-requisito básico pra o jogador que faz tantos gols, estar ali na frente do goleiro na hora de terminar a jogada, aí ele falou que o principal que a gente tem que ter é frieira. (risos) Eu perguntei surpreso, frieira? E ele afirmou que sim. Temos que ser tranquilo e ter calma. Ele quis dizer frieza, e acabou falando frieira. Eu comecei a rir e ali acabou a entrevista. São essas coisinhas pequenas que acontecem no dia-a-dia da gente que vai lembrando aos poucos, mas tem muita coisa engraçada”, contou.
[Este perfil foi censurado no Jornal Lona, da Universidade Positivo, por motivos insignificantes, os quais - para quem o fez - foi o suficiente para restringir a sua leitura a quem nem sequer teve a opção de opinar ou não sobre o que foi escrito aqui.]

Com colaboração de Aline Reis.


11 de mai de 2010

Quando uma importante sustentação se rompe

Por: Daniel D'Alessandro 

Até que ponto é capaz de chegar a dicotomia existente entre o jornalismo enquanto mercado de trabalho e seu ensino?

Difícil conseguir uma resposta precisa. O Brasil testemunhou em 2009 a revogação da obrigatoriedade de formação específica para o exercício dessa profissão, fazendo com que grande parte da população parasse para pensar – mesmo que por alguns instantes, apenas - sobre de que forma tal decisão repercutiria na qualidade das informações que o jornalismo ofereceria dali em diante.

O fato demostra a importância social da área e a consciência da comunidade a respeito disso. Em rodas de conversas descompromissadas, há a oportunidade de ouvir, após a afirmação de que se estuda jornalismo, que o que foi estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal é um absurdo. ¨Que dó que eu tenho de vocês¨, dizem. Como categoria, os jornalistas foram praticamente unânimes no posicionamento contrário ao fim da obrigatoriedade. Discordou-se e protestou-se, o que mostra todo o apreço existente na profissão pelo ensino formal de jornalismo, que inclui conhecimentos teóricos e éticos.

Já nos disse Paulo Francis: ¨só não se contradizem os burros, os que não têm vontade de evoluir¨. Mas é preciso ressaltar que a contradição é benéfica buscando melhoria, não retrocesso. O próprio autor desse texto foi contrário ao STF com veemência. Depois de quase um ano, contudo, algumas observações de cidadãos comuns sobre essa profissão levam a outra reflexão. Contribuem para essa percepção fatos recentes na Universidade Positivo. Melhor dizendo, grande número de profissionais da área convencem-se de que a decisão foi acertada e que grande culpa disso é dos próprios cursos superiores de jornalismo. Infelizmente, tem-se a impressão de que as graduações em jornalismo estão cometendo algo próximo do suicídio ao não se adequar às mudanças representativas que a área sofreu. Às vezes, podem surgir ainda outros problemas.

Com um pouco de exagero, afirma-se que a discussão sobre a relevância ou não das teorias do jornalismo é secular. Como em toda polêmica, o consenso é complicado. O que sustentava uma grande percepção de necessidade do ensino específico era justamente o conhecimento ético e moral que as faculdades são incumbidas de proporcionar. O pensamento era algo parecido com: se não existe certeza a respeito das teorias, muitos acreditam que as faculdades são responsáveis pela formação de conduta adequada dos profissionais.

Mudando de assunto, é válido lembrar também que uma das principais mudanças que devem ocorrer no jornalismo é o fim do caráter ditatorial que muitas redações apresentam. Os mesmos chefes preocupados em noticiar atos ignorantes dos governos Chávez, Ahmadinejad, e Kim Jong-II não hesitam ao lidar com os repórteres de maneira autoritária e repressiva. A única lógica intocável existente é a do setor financeiro, custe o que custar. Não se leva em consideração o que os repórteres têm a dizer, apenas o que eles têm a fazer.

É com tristeza que os alunos presenciam uma tentativa de monopólio digna de ditadura no jornal laboratório da Universidade Positivo. O discernimento e a interpretação a respeito disso ainda estão em formação, o que não anula a característica ruim do fato: o professor Marcelo, que possui entre os conteúdos das aulas censura prévia da ditadura militar e Joseph Goebbels, com atitudes tão antidemocráticas no comando de um jornal que está a serviço de docentes, mas também e principalmente, dos alunos. Grupos tiveram a oportunidade de, em sua disciplina, pesquisar acerca de jornalismo feito de maneira autônoma, livre. O descontento aumenta quando fica claro que o coordenador do curso é favorável a essa situação. Além disso, não há como aceitar o veto ao editorial que explicaria a volta da impressão em preto e branco.

O que fazer, então, quando nas faculdades, onde se ensina sobre Wladmir Herzog tomam-se atitudes déspotas na orientação aos alunos? Se um grande pilar que sustentava as universidades de jornalismo é rompido pelas próprias, como defendê-las? Sim, muito cuidado com as generalizações, há na Positivo quem nunca tenha decepcionado quando a questão é senso democrático e tolerância. Fique claro também que a intenção não é incitar ao abandono de curso.

Convém retomar a questão levantada na introdução deste texto. Qual a dimensão da distância entre o jornalismo-mercado e o jornalismo acadêmico? Pequena, pode ser a resposta. Não porque a prática finalmente anexou preceitos pedagógicos ignorados, mas porque o universo acadêmico também é capaz de incorporar sérios males antes repelidos do interior dos cursos. Que nós, alunos, consigamos dentro da faculdade dar prosseguimento ao que aprendíamos com ética.

Que nosso blog não se junte às várias iniciativas frustradas que se viu na História. Que os objetivos concretos sejam visualizados e alcançados

10 de mai de 2010

Censura...

Por: Rodrigo Araújo

A noite estava tranquila quando, de repente, desperto ao som de passos apressados pelo corredor que leva ao meu quarto. Minha mãe entra desesperada e diz para me esconder debaixo da cama. Mal havia entrado em meu esconderijo e um grupo de homens vestidos de preto e com máscaras arrombam a porta do quarto, derrubam-na no chão, colocam um saco preto em sua cabeça e a levam arrastada pelo mesmo corredor por onde chegaram. Essa foi a última vez em que a vi.

A cena descrita acima aparece no filme “V de Vingança”. Os pais da garotinha em questão foram presos, torturados e “sumiram” por serem ativistas políticos contra o regime ditatorial implantado na Inglaterra após uma série de eventos que levaram aquela ilha ao caos.

Pois bem, não vivemos em um mundo pós-apocalíptico e muito menos sob um regime ditatorial, mas nossas vozes são igualmente silenciadas. Se não pelo “sumisso” (entenda por tortura + morte + corpo “desovado” em algum terreno baldio ou cemitério clandestino), então pelo simples veto do que temos a dizer sob desculpas das mais esfarrapadas possíveis. Não entrarei no mérito da questão se a lei é cumprida ou não neste país, mas a liberdade de expressão está assegurada na Constituição de 1988 e qualquer ato de censura é um ultraje, uma vergonha e um retrocesso democrático.

Aproveitando o embalo, vou contar outra historinha.

“Um dos amiguinhos achou que era o chefe da brincadeira, foi até o campinho, pegou todos os brinquedos e os levou embora. Num primeiro momento, um outro amiguinho ficou bravo com o amiguinho anterior. Mas depois, sabe-se lá por que, eles voltaram a brincar felizes, alegres, saltitantes, de mãozinhas dadas e resolveram excluir a menininha que queria brincar de outra coisa. Qual é a surpresa disso tudo? Nenhuma! Afinal, o segundo amiguinho não tem voz para nada, muda de opinião como quem muda de cueca (simples assim) e é mera figura ilustrativa na brincadeira (mas que infelizmente tem QI para dar a palavra final). Agora o primeiro amiguinho está feliz da vida com os brinquedos só para ele. Bobo! É mais divertido brincar em grupo.

A menininha “excluída” não precisa ficar cabisbaixa achando que ninguém liga pra ela pq a história ainda não acabou. Antes do “E foram felizes para sempre...” ela descobrirá que outros amiguinhos também querem brincar de outra coisa.”

6 de mai de 2010

Está no ar... o Falha Democrática

O Falha Democrática está no ar e, em breve, será impresso e distribuído gratuitamente. O objetivo principal do Falha é ser um espaço online dos alunos do atual 2º ano do curso de Jornalismo da Universidade Positivo, em que nós, aprendizes desta desgastante e amada profissão, possamos postar qualquer texto, vídeo ou áudio de âmbito jornalístico (matérias, reportagens, opiniões, contos literários, críticas, entre outros). A ideia é inicial é do segundo ano, mas se o Falha for para a frente, todos os discentes de Jornalismo da Universidade Positivo poderão usufruir deste veículo informativo.

Não, não somos tão falhos democraticamente assim. O nome Falha Democrática vem de um problema presente na maioria dos alunos do 2º ano: a dificuldade na escolha de algo referente à sala. Demoramos pelo menos um mês para escolher nossa empresa de formatura, demoramos um mês para definir o modelo da camisa do curso e, afinal, houve muitas discussões sobre a escolha do nome. Votação não dá certo por aqui. Após muitas tentativas de nomes, uma que todos concordassem surgiu: Falha Democrática. Enfim um nome que resumia a falta de acordo entre os colegas que hoje enfrentam o segundo ano da não mais válida – quando o assunto é diploma – faculdade de Jornalismo. O Falha lembra Folha, nome dado a muitos jornais de destaque do Brasil. Além disso, democraticamente falando, há falhas no curso. Muitas e muitas falhas democráticas, que vão desde aos míseros alunos revolucionários do curso até parte do corpo docente e coordenação que tentam dominar os veículos da Rede Teia.

Nos próximos anos o Falha Democrática será o nosso veículo comunicativo online e impresso. Matérias de cunho impresso que não foram publicadas no Lona (Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo) por não atenderem aos interesses comerciais de tão aclamada instituição de ensino ou por mera proibição interesseira de algum orientador do jornal sairão aqui. Matérias que saíram no jornal em questão também sairão aqui, se for desejo do autor. Qualquer tipo de crítica e opinião sobre qualquer assunto será muito bem vinda. VTs televisivos e matérias rádiojornalísticas também sairão no veículo online.

Aqui serão defendidos os interesses dos alunos, e somente dos alunos. E nosso interesse é a publicação e divulgação de material jornalístico por nós produzidos, além de querermos mostrar nossa opinião sem censura. Ainda somos aprendizes de jornalistas e não funcionários de uma empresa com fins lucrativos.

Você pode entrar em contato com a gente através do email falhademocratica@gmail.com e pelo Twitter: http://twitter.com/democraciafail 

Que comece, então, nossa série de textos. Nascemos para incomodar e, muito mais que isso, informar.