18 de mai de 2010

Juventude ligada em comunicação

Atividades do Intercom Sul 2010 discutem a relação da produção midiática e a recepção do jovem

Por: Aline Reis e Maria Carolina Lippi, de Novo Hamburgo, RS


No segundo dia de trabalhos no XI Intercom Sul - Comunicação, Cultura e Juventude, em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul houve três painéis no período da manhã: Novas mídias e jovens, com a professora doutora Gisela Castro ESMP/SP, Produção audiovisual para jovens, com o professor doutor Valério Brittos (Unissinos) e Publicações voltadas para jovens, com a professora doutora Saraí Schuimid, que aconteceu no auditório do bloco azul da Feevale, no qual o tema principal de apresentações de estudo foi a relação do jovem e a mídia.

A doutora Saraí Schmidt, educadora na Feevale há dez anos falou sobre um estudo que se baseou na Revista MTV, voltada ao público jovem. Para isso, foi feita uma análise na linguagem usada na mídia que remete ao universo do jovem. As características vistas por ela nos meios é de criar uma ligação do jovem com a expressão “ter atitude”, no sentido de que a sociedade acredita que o jovem devem resolver todos os problemas no meio em que estão inseridos. De acordo com ela, a população remete que é o dever do jovem solucionar as questões que permeiam crises no país. “O que eu tenho percebido que não é fácil ser jovem em nosso tempo”, observou.
No entanto, de acordo com a pesquisadora, a mesma sociedade que culpa os jovens por todos os problemas os incumbe de resolvê-los. “Cria-se a ideia de que hoje o jovem tem oportunidade e só precisa ir atrás, mas sabemos que nem todos tem oportunidade. Cria-se a lógica dos vencedores e vencidos”.

A professora ainda analisou a expressão “ter atitude” por meio das Revistas MTV a partir do ano de 2001. A pesquisa com a revista foi feita com seus próprios alunos dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Feevale. Eles tiveram que analisar as publicações e responder: O que é ter atitude? As respostas foram feitas em formas de colagens. Os estudantes colaram imagens de grandes esportistas, artistas e cantores. “É a busca de um exemplo a ser seguido. Ou você tem atitude ou não tem”, diz a professora.

Nesse sentido surge um questionamento no que diz respeito aos conteúdos veiculados pelos impressos joviais. “É difícil fazer algo para o jovens porque a gente não sabe o quê escrever, mas ao mesmo tempo, os jovens são interativos, então a publicação é feita por eles. Por isso não adianta colocar coisas mais de cultura se eles não querem ler”, analisa a estudante do sétimo período da Universidade de Santa Cruz do Sul (UCISC) , do Rio Grande do Sul, Ananda Delevati, que participa de um projeto para uma publicação jovens dentro da academia.

Em relação à Revista MTV e outras revistas estudadas, foi visto por Saraí que, as matérias e propagandas nas publicações jovens tratam de “ter atitude” é relacionado a individualidade. “Há um discurso do individualismo muito forte. É necessário ser diferente para ser igual”, explica. Sua preocupação em relação à imagem criada do jovem pela mídia, aquele que só busca estar na moda e conquistar um namorado (a) ou seja, a generalização do conceito. “Sabemos que há muitos jovens que gostam de ler e se interessar por outros assuntos”.

Entre esses jovens está o estudante de Jornalismo, Antonio Carlos Senkovski. Ele concorda com o estudo da professora Schimdt e percebe a responsabilidade indevida que é dada ao jovem atualmente. “O jovem carrega uma fardo muito pesado. O jornalismo também é culpado desse fardo, porque o jornalista quer fazer tudo rápido com a única intenção de vender. É a reprodução do neoliberalismo, o individualismo é fruto da lógica de mercado”, afirma.

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